RotaWeeb: Revisando Textos em 2019

Marcelo Hagemann Dos Santos
23 min readNov 27, 2019

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Akiyama Mio de K-on! tentando escrever uma música.

Em 18 de outubro de 2017, após a morte da figura emblemática do querido pinguim otaku, Grape-kun, publiquei meu primeiro texto no Medium. Minha ideia era, naquela época, tornar um pouco mais acessível para os falantes de língua portuguesa a história completa da vida de Grape-kun, já que, até então, conhecíamos ele apenas pelo fato dele ter, supostamente, se apaixonado pela cartolina de uma das personagens de Kemono Friends, que representa a sua espécie, Hululu.

Desde então se passaram mais de 2 anos, e nesse período publiquei diversos textos compartilhando os meus pensamentos sobre os mais diversos temas. Nada mais natural, portanto, que nesse meio tempo meus pensamentos, opiniões, e posicionamento sobre tais temas, ou mesmos os meus próprios textos, tenham se modificado de alguma forma. Por isso, me parece uma boa hora para dar voltar o olhar para essas publicações e dizer o que penso sobre a maioria delas.

Lembrando que a RotaWeeb é uma série de textos meus, criados e publicados sem uma frequência regular ou definida, com o objetivo de olhar para o meu passado como indivíduo e, principalmente, como fã de animação japonesa, otaku, weeaboo, ou qualquer outro termo que se encaixe aqui, para possibilitar aqueles que se tão o trabalho de ler o que publico no Medium entender melhor quem eu sou, porque penso da maneira que penso etc. Lembrando que o objetivo não é a nostalgia, ainda que ela se faça presente em diversos aspectos dessa proposta.

Essa tal de imersão

O primeiro texto que quero mencionar aqui é na verdade o mais recente deles. Imersão é um assunto que queria falar desde antes da criação de meu perfil no Medium por diversos motivos, o primeiro deles é a complexidade que é definir o que é de fato a imersão, e o segundo é o quanto as pessoas consideram a imersão como algo importante para avaliar uma obra, principalmente quando estamos falando de vídeo-games (isso mesmo, bem mais do que em animes).

É algo que penso há muito e muito tempo, e naturalmente minha opinião sobre o assunto foi mudando conforme pensava nele. Isso é tão fato que, na verdade, eu planejava publicar esse texto bem antes, mas precisamente em torno da época que publiquei o meu texto falando sobre Hype. Porém, até então eu desconhecia completamente o conceito de Flow, e todas as ideias propostas por Mihaly Csikszentmihalyi, e se você leu até pelo menos até a metade desse texto deve ter percebido que o conceito de Flow é bastante importante para entender o que é de fato a imersão, então, óbvio, eu ter entrado em contado com esse novo conceito mudou completamente a minha visão sobre o assunto, o que fez com que eu necessitasse de mais tempo para reorganizar os meus pensamentos. Inclusive, fiz questão de incluir o nome do psicólogo no texto, ainda que na prática tudo o que é utilizado por mim seja a definição de Flow e um esquema gráfico montado por ele.

Também, outra coisa que me fez postergar esse texto foi o fato que, bem, o hype em torno da temporada de Julho foi inegável e, como esse também era um assunto que eu queria escrever sobre, fazia mais sentido aproveitar o embalo e dissertar sobre nessa época.

Ao mesmo tempo, por se tratar de um assunto complexo o texto ficou naturalmente longo, afinal de contas nele aponto três modalidades diferentes de imersão e diversos dos mecanismos que envolvem o fenômeno. E é claro, com o texto ficando grande eu acabei decidindo cortar algumas coisas. Uma decisão que não durou tanto assim, bastou uma longa caminhada após a publicação para eu repensar esse corte e chegar a conclusão que ele não fazia tanto sentido. Ok, são mais 4 minutos de leitura, segundo essa métrica do Medium, mas não é como se esse acréscimo fizesse uma diferença tão drástica assim, afinal, não me parece que alguém disposto a ler um texto com mais de 15 minutos de leitura fosse abandoná-lo por conta de um ou seis parágrafos a mais no final do texto, e como ele não seria um texto de rápida leitura de qualquer jeito optei por ter um texto mais completo.

De qualquer forma, essa alteração está feita, mas não é como se eu tivesse exaurido o tema completamente, até porque essa nem pode ser a minha pretensão, em qualquer um dos meus textos. Tanto é que há muito o que ser aprofundado, principalmente no campo da psicologia e da neurociência, uma vez que a imersão é (ou pelo menos está ligada aos) um estado mental, e nada mais justo ouvir o que as áreas que estudam a mente humana tem a dizer sobre.

Minha Relação de Amoródio com o Crunchyroll

Esse é, provavelmente, o texto mais datado que tenho aqui no Medium. E não me leve a mal, não é como se hoje em dia eu amasse ou odiasse o Crunchyroll ou qualquer coisa do gênero, meus sentimentos para com a plataforma continuam praticamente os mesmos, ainda enxergo tanto qualidades nela como defeitos, e também não cancelei minha assinatura nem deixei de acompanhar os títulos disponíveis na plataforma por ela é só que… as coisas mudam.

Nesse meio tempo algumas coisas aconteceram. Primeiro é que a Crunchyroll laçou outro player depois do mencionado no texto, o que foi certamente um acerto porque, além dele estar bem mais limpo visualmente, ele possui algumas funcionalidades que o tornam interessante e bastante útil pra quem tira screenshots dos episódios, ou seja, que eu particularmente não utilizo, mas é algo que é bom ter.

Por outro lado, a funcionalidade da “minha lista” não está tanto funcional como antes, com alguns episódios novos não aparecendo quando eles são disponibilizados, a barra de progresso (que marca o quanto do episódio você assistiu) por vezes marca como se eu tivesse visto episódios que eu ainda não vi e por vezes não marca episódios eu já vi… o que não me atrapalha, até porque a Hime(aka o perfil BR da crunchyroll) tweeta sempre que um episódio novo saí, e como o meu twitter está sempre aberto (tanto no pc como no notebook) acabo pegando os links por lá, o que transforma a função da “minha lista” em mais um marcadores de backlog e das coisas que estou acompanhado na plataforma. O que não deveria ser o caso.

Para piorar, uma das coisa que elogio no texto é o fato da Crunchyroll, em todas as temporadas, ter, na época, sempre licenciado a maioria dos animes da temporada nos quais tenho interesse em acompanhar. E isso mudou. Quando publiquei o texto a Crunchyroll estava em uma parceria com a Funimation, de modo que os animes licenciados pela segunda apareciam na plataforma da primeira. E, como nada dura pra sempre, essa pareceria acabou (para mais detalhes tem a notícia no Jovem Nerd), com isso a quantidade de animes de meu interesse presentes na plataforma diminuiu drasticamente. É um chute, mas posso dizer antes 2/3 dos animes que eu assistia estavam na Crunchyroll, quando agora digo que são 1/3.

É uma queda grande, e seria muito fácil apenas culpar a Crunchyroll por essa mudança, apontando uma suposta má vontade por parte dela ou algo do tipo. Mas… não é nem sequer justo colocar toda a culpa no colo dela. A verdade é que a Crunchyroll é um peixe pequeno no mar de empresas buscando licenciar (de forma exclusiva) nossas queridas animações japonesas em território nacional, o que por si só é um problema grave do mercado de streaming que na prática incentiva cada vez mais a pirataria.

É um assunto complexo, que mais que valeria um texto próprio. Mas por hora, se você tem boa compreensão de inglês, recomendo assistir os dois vídeos do
Uniquenameosaurus sobre o assunto (Esse, e esse aqui), em ordem, que, apesar de discordar dele em alguns pontos relativamente relevantes, elucida bem vários problemas que a plataforma e o mercado de streaming possui.

Qual é o ponto da Albedo? e Porque amamos a Chika.

Coloco esses dois textos juntos porque a princípio eles partem de uma mesma premissa; olhar para personagens específicos dentro de uma narrativa e entender qualé deles. Mas é claro, são textos que existem por motivos bem diferentes. O da Albedo escrevi pelo curioso fato da personagem não estar presente na primeira versão de Overlord, publicada pelo autor inicialmente na internet, antes de se tornar uma série de light novel e, então, a personagem ser incluída. Enquanto a Chika foi algo mais simples, a súpita popularidade dela após o terceiro episódio de Kaguya-sama, em que a personagem recebeu um encerramento só pra ela.

O texto da Albedo é de fato um dos meus textos mais populares aqui no Medium, chegando muito perto do Top5 (visualizações) e sendo o meu terceiro texto mais lido, e realmente sinto que atingi boa parte das minhas pretensões com ele. Afinal de contas, o personagem da Albedo nos tá interessantíssimos insights a respeito de Overlord e nos ajuda a entender melhor o que está por trás da obra e o que torna os seus personagens tão interessantes.

O Chika por outro lado não é um texto tão popular assim, mas ele também está longe de ser um dos menos acessados ou lidos. Claro que isso ainda pode mudar quando a segunda temporada de Love is War for ao ar(yo!), pois com o anime passando o interesse pela personagem vai naturalmente crescer, mas sinto que poderia ter explorado um pouco mais as múltiplas facetas da Fujiwara, seu apelo como waifu, e a sua presença como agente do Caos na trama, principalmente na forma como essas características contrastam com as dos protagonistas.

E por falar na segunda temporada de Kaguya-sama: Love is War, dona Good Smile, quando é que esse nendoroid da Chika sai mesmo?

Goblin Slayer e a Cultura do Estupro

Eu vou ser sincero, tenho sentimentos bem conflitantes a cerca desse texto desde o momento em que publiquei na plataforma.

A minha intenção inicial foi a de servir como ponte entre os dois lados da polêmica causada pelo primeiro episódio de Goblin Slayer. De um lado, muitos criticavam o modo como o anime utilizava a violência física e sexual de maneira banal, acusando a série de ser machista, promover o estupro e fetichizar o sofrimento feminino. E do outro lado, havia aqueles que não necessariamente defendiam ou aplaudiam o anime, mas ridicularizavam as críticas a ele e as chamavam de “mimimi feminista” e “problematização vazia” sem de fato ouvir o que estava sendo dito.

E é claro, dentro disso havia todo os exageros e comentários fora de mão já esperados de qualquer polêmica de internet, de ambos os lados, como aqueles que classificavam Goblin Slayer como Shounen Adultão e diziam que esse gênero tinha que acabar, perdendo completamente o foco do problema. E aqueles que defendiam a presença do estupro em Goblin Slayer afirmando uma suposta autenticidade história nela. O que não faz sentido algum considerando que o anime é uma fantasia envolvendo criaturas imaginárias e, mais importante ainda, sem qualquer pretensão com autenticidade histórica. E óbvio, não havia conversa, não havia discussão civilizada entre os dois lados.

E não considero que eu tenha atingindo a minha pretensão com esse texto, e não é porque ele foi razão de terem me chamado de coisas como feministo, esquerdista ou militante. Até porque já esperava esse tipo de comentário quando escrevi o texto, e prefiro ser chamado disso do que apoiar qualquer banalização de estupro. Mas porque eu realmente não acho que eu tenha feito qualquer alma refletir e mudar sua visão sobre o assunto, quem achava que a discussão era puro mimimi continua pensando assim, quem crucificava Goblin Slayer achando ele o pior anime da década odiando qualquer pessoa que sequer pensasse em gostar do anime também vai continuar seguindo essa mesma linha de pensamento.

O pior de tudo é que por mais que a violência ali seja apenas um recurso narrativo barato para causar choque (visto que envolve exclusivamente personagens que são facilmente descartados pela trama) o primeiro episódio é o único momento em que o ato de matar goblins (o que é a única coisa que o protagonista faz o anime inteiro) é gratificante. Afinal, existe algo catártico em ver esses monstros receberem o que merecem, por mais que isso soe apenas como uma glamorizarão da violência, o que também não deixa de ser verdade.

De qualquer forma, eu senti que havia algo que precisava ser dito. Em um meio que ignora tanto a fala da mulher (digo isso do meio nerd de modo geral), onde o lugar de fala é majoritariamente masculino, em que o machismo volta e meia se torna lugar comum, vi na polêmica oportunidade para tocar em um assunto que precisa ser tratado nesse meio. Ainda que eu não me considere uma pessoa de fato preparada para abordar um assunto tão delicado e custoso como esse.

Quando o termo “trap” se torna ofensivo?

Aproveitando o embalo para falar de outro texto que foi motivo para me chamarem de militante (ainda que por pessoas que claramente não tinham lido o texto), dessa vez esse é um texto que me passa um sentimento de dever cumprido. Não que eu tenha explorado o tema em sua totalidade, pelo contrário, algumas das coisas que eu decidi não apontar no texto (por serem sobre termos não muito conhecidos pelo público geral de anime envolvendo personagens que não se enquadram nos arquétipos de seus respectivos gêneros) foram comentados posteriormente por algumas pessoas (dessa vez que realmente leram o texto), mas por se tratar de um texto relativamente conciso e direto ao ponto, abordando tudo o que é necessário para a conclusão ser dar muitos rodeios — algo que por vezes sinto que não consigo fazer em outros textos —, e mais importante do que isso, apresentando um ponto de vista sem condenar necessariamente daqueles que discordam dele.

Até porque não é o termo, a palavra em si, trap que é ofensiva, seja in real life ou para se referir a personagens de animu, mas sim a forma como ela é utilizava para ofender e diminuir o outro. Ou seja, como qualquer outra palavra considerada ofensiva.

Porque não aprecio primeiras impressões da temporada. e Não é trabalho da Crítica ser melhor do que Você

Coloco esse dois textos no mesmo balaio não pela abordagem deles ser parecida ou por tratarem de temas similares, mas, porque, em essência, a intenção por trás desses textos é exatamente a mesma: Tratar do propósito da Crítica. E ainda que eu volte a minha fala especificamente para a animação japonesa considero que a Crítica como um todo deve seguir esse mesmo papel não importa de qual arte estamos falando. Seja artes cênicas, cinema ou vídeo-games, a crítica que não aproxima o público da arte é, na falta de palavra melhor, inútil.

O trabalho da Crítica não deve ser o de definir o que as pessoas devem ou não assistir e gostar, assim como não é o de diminuir o público por gostar de algo em específico. Ainda que boa parte do ato de se fazer crítica envolva apontar coisas, obras, e elementos que são bons, bem feitos e bem trabalhados, e interessantes [ou nenhuma dessas coisas], a Crítica não deve inferiorizar o grande público por gostar de uma obra que ela considera rasa ou de baixa qualidade. Da mesma forma nenhum indivíduo deve ter vergonha por gostar daquilo que é considerado ruim pela Crítica ou mesmo pela maioria do público (aquilo que volta e meia chamam de Shitaste).

Mais especificamente o primeiro texto é muito mais sobre a minha perceptiva sobre qual tipo de conteúdo gosto de consumir vindo da crítica, do que um devaneio sobre o que considero ser bom exercício de crítica. Afinal de contas, pelo modo como o que chamo de guias das temporadas é feito, o valor desse tipo de conteúdo está muito mais na opinião do(s) autor(es) nos animes da temporada do que de fato uma análise/discussão séria sobre eles. E para mim pouco interessa saber a opinião, a impressão inicial, de um desconhecido sobre os animes da temporada. Se quero saber a opinião de alguém sobre a temporada, esse alguém são os meus amigos, ou o pessoal da internet. Mas é claro, esse sou eu. É completamente válido alguém se interessar em saber a opinião dessas pessoas que produzem esse tipo de conteúdo.

O único desvio de regra (porque sempre tem um) é o YouTuber Gigguk, que toda temporada lança um vídeo sobre suas impressões. Ainda que o meu interesse pelos vídeos dele seja muito mais pelo valor como shitposting e das piadas feitas no vídeo com os animes atuais do que qualquer outra coisa.

Eu certamente tenho muito o que dizer em torno do exercício da crítica. Principalmente quando eu eventualmente (tentar) definir o que é arte. Mas o que posso dizer por enquanto é que, um dos meus principais desgostos pelo modo atual de se fazer crítica a animes (e outras formas populares de arte) é o modelo de review e sua obsessão com métodos formulários de avaliação que, na prática, ignoram toda a dimensão intrapessoal da arte e a transformam em mero produto. Não que animes não fossem produtos, até porque no capitalismo tudo é produto, nenhuma empresa investe o seu capital em algo apelas pelo apreço pela arte, ou pelo prazer da criação, mas pelo potencial lucro que tais obras possuem.

Enfim… uma discussão para outro momento.

Crítica Social em GeGeGe no Kitaro, Como Saiki e Hinamatsuri trata seus personagens e Sora Yori mo Tooi Basho e a quinta protagonista

Esses três são exemplos de textos em que me afasto do modelo de review e parto para uma análise que se aproxima mais daquilo que me interessa na Crítica e o que procuro produzir aqui no Medium. Em vez de buscar avaliar se um anime é bom ou ruim procuro discutir e analisar pontos em específicos, sem pretender fazer um juízo de valor mais pesado para cima desses títulos.

Assim como o texto sobre a Albedo e o texto sobre a Chika a minha intenção aqui não é a de mostrar “por que GeGeGe no Kitaro é bom”, ou responder se “Saiki é melhor que Hinamatsuri”, mas sim olhar para elementos específicos desses animes e observar como eles influenciam a trama ou mesmo a percepção do telespectador sobre esses títulos.

Sinceramente esse é o tipo de texto que eu deveria fazer mais aqui no Medium, não por ser um viés mais popular entre as coisas que eu faça, ou por estarem atrelados a títulos que podem me trazer um alcance maior, mas porque são o tipo de discussão que considero mais interessante. Acho que a última vez que fiz um texto com esse viés foi quando falei sobre Yakusoku no Neverland (Em Yakusoku no Neverland e aquilo que não te contam) em que aproveitei para falar sobre as várias formas de se construir um mistério numa narrativa (um assunto que eu sempre tive vontade de abordar), e é claro, como a mescla dessas formas influencia a própria expectativa do telespectador, e o que ele sabe que sabe, que acompanhou o anime.

Personagens OverPower, a Arte do Poder e Personagens OverPower, a Forma do Poder.

Creio que, com exceção da própria RotaWeeb e do já tradicional conto de halloween que posto aqui todo 31 de outubro desde quando comecei a usar essa plataforma, a Personagens OverPower, a XXX do Poder seja a única série que tenho aqui no Medium. Eu admito, talvez a ideia do título não seja das melhores, porque é um pouco difícil do leitor saber se está com o primeiro texto ou o segundo aberto sem um paragrafo explicando o que tá acontecendo. E também é um pouco difícil saber do que exatamente o texto se trata só pelo título… mas fazer o quê, não é mesmo?

A ideia sempre foi a de escrever apenas o primeiro texto como uma forma de dizer que, sim, a crítica de um anime é ruim por conta de um personagem OP é completamente válida, mas válida dentro de dados contextos e, ao mesmo tempo, não é porque uma trama possui um personagem OP que ela vai ser necessariamente ruim.

No primeiro texto abordei isso olhando para como a relação entre poderes pode afetar o apelo de jogos competitivos, cooperativos e single player e como esse apelo se transferem para animes. No segundo busquei definir o que exatamente é um poder, e quais tipos de poderes há. Afinal de contas, não há personagens OP sem poderes, certo?

Agora, se estou satisfeitos? Bom, com o primeiro eu realmente estou. Acho que ele funciona como um texto sozinho, o que era a intenção quando o postei, e consegui abordar tudo de maneira clara. O segundo eu sempre tive a sensação de que ele poderia ser melhor, eu o escrevi numa época em que não estava nos melhores ânimos para escrever, e talvez isso influencie a minha percepção sobre ele. Mas ele cumpre o propósito dele, não necessariamente requer que se tenha lido o texto anterior, e eu acho que consegui explicar o que pretendia com ele.

E óbvio, não termina por aqui. Como você, caro leitor, deve imaginar pelo tom desse seguimento, essa série vai ter continuação, não sei quando, vai depender do meu humor, do quão bem meus pensamentos sobre o tema estiverem estruturados, enfim, males de quem não escreve com regularidade.

Colocando os Otakus fedidos em forma e De Kemono Friends à Kemurikusa

Eu sempre achei o fenômeno de animes que envolvem algum tipo de atividade física(fora esportes) algo bastante curioso, isso somado ao fato do quão eficiente fora Dumbell nan Kilo Moteru em persegui a sua proposta, refinando a ideia de um anime de Zumba e flertando diretamente com o humor nonsense, eu certamente não poderia deixar de escrever algo sobre esse tipo de anime. A ideia era postar o texto mais no começo da temporada, lá pelo episódio 3. Mas é claro, a ideia foi ficando para trás na desculpa de que eu ainda precisava pensar mais sobre Dumbell, assistir mais episódios dele, para ter certeza de que aquilo que eu pretendia dizer no texto batia com a realidade.

O texto sobre Kemurikusa, por outro lado foi similar no sentido de que eu precisava assistir mais episódios para poder ter certeza de que as minhas ideias para o texto estavam corretas, com a diferença aqui que eu precisava rever a primeira temporada de Kemono Friends para ter certeza de que ela era da forma como eu lembrava. Felizmente estava correto, e, mais do que isso, creio que me diverti ainda mais com o anime assistindo-o pela segunda vez do que na primeira. Talvez por já estar acostumado com a animação mais bruta, porém cheia de amor, de Kemono.

Gosto de ambos os textos por motivos diferentes. Mas meu único arrependimento foi o de não tratar a narrativa de Kemurikusa um pouco mais a fundo, porque na época decidi que iria deixar o texto livres de spoilers para quem ainda não tivesse assistido o anime. Ainda acho que a minha intenção era boa, mas ao mesmo tempo sempre tenho a impressão de que aqueles que leram o texto até o fim são justamente as pessoas que assistiram Kemurikusa e já conhecem relativamente bem o trabalho do Tatsuki.

Suas Idols estão Mortas

Que Zombieland Saga é o meu anime favorito de 2018, ou mesmo dos últimos anos, é algo que não guardo segredo de ninguém. Não apenas é um dos poucos animes que menciono em mais de um texto aqui no Medium, como esse é praticamente um dos poucos textos meus cujo objetivo é pura e simplesmente falar sobre o anime.

É claro, no começo do texto estabeleço o modo como o anime constrói a sua crítica à industria de idols e como isso não entra na frente do entretenimento provido pela narrativa. Mas também falo do quão bem o anime trata sua personagem trans, algo bastante raro na mídia, e elaboro um pouco sobre o quão bem o anime parece entender o que torna um anime de Idol, e/ou slice of live, divertido, o quão bem suas personagens são construídas e a forma como suas personalidades flertam e subvertem os arquétipos clássicos desse gênero.

Apesar de considerar um texto atípico pra minha pessoa, eu gosto bastante dele. Talvez por gostar muito de Zombieland Saga e estar ansioso pela próxima temporada, mas ainda assim não posso rejeitar esse sentimento de dever cumprido.

Apenas um detalhe de bastidores me incomoda. O fato d’eu me aproximar de ideias de conceitos no texto que pretendo desenvolver em outro momento, em particular o design de personagens e o que eles nos diz sobre suas personalidades, em particular o uso de cores.

E é claro, eu espero que esse não seja o último texto que faço em comemoração a um anuncio de segunda temporada(ainda que não se tenha uma data pra estreia de Zombieland Saga: Revenge). Porque, bom, tem muito anime por aqui que merece.

A pior decisão da GameFreak

Cara… respira… Por onde eu começo?

Eu acho que ainda estava bastante otimista quando escrevi esse texto. Eu definitivamente não esperava que o corte de pokemons fosse tão grande como foi. Não apenas a quantidade de bixinhos presentes em Galar é menos da metade de todos os monstros da franquia como há pouco motivo para transferir os pokemons dos jogos antigos para Sword & Shield quando Pokemon Home for lançado, porque, com exceção dos iniciais de Kanto e Alola, e um punhado de legendários, não há nenhum outro pokemon novo/antigo a ser obtido por esse método. Eu não ser dizer se isso pode mudar com um patch quando Pokemon Home sair, mas é algo que tira completamente o propósito do Home e, sinceramente, bem decepcionante. (Sendo justo, ainda não sabemos exatamente o que é o Pokemon Home, suas funcionalidades fora o fato dele permitir a transferência de pokemons entre jogos. E por isso não dá pra dizer se não haverá algum incentivo para manter seus parceiros cibernéticos nessa nova plataforma)

Alguns argumentaram, desde o lançamento do jogo, que o corte permitiu que (principalmente por crianças) outros pokemons fossem usados no decorrer da história principal do jogo, uma vez que a não presença das criaturas populares de sempre forçaria os jogadores a capturarem e usarem monstros diferentes. O problema desse argumento é que isso aconteceria com ou sem o corte na nationaldex. Inclusive, pokemon sempre foi um jogo que incentiva a experimentação, e a usar bestas novas. Tanto é que, a cada nova geração, não é difícil ver pessoas encontrando novos favoritos diariamente dentro da comunidade de pokemon.

Do ponto de vista técnico o que eu posso dizer é que o jogo é bastante inconsistente. Os assets (modelos com suas respectivas texturas) dos pokemons foram muito bem feitos, e acho que eles não precisariam ser diferentes daquilo que são, os NPCs (tanto os únicos como os genéricos) também estão muito bem feitos e carismáticos. As animações por outro lado são 8 e 80, algumas delas são muito bem feitas, certas animações novas de movimentos antigos são de fato excelentes, mas outras são completamente sem graça e deveriam ser retrabalhadas. Alguns cenários são de fato bem bonitos, mas a grande maioria deles é sem graça, em particular a Wild Area(um dos principais atrativos do jogo) é bem feia e vazia, e explorá-la se resumi a ir atrás dos pokemons que estão nela e dos itens que você pode coletar. Diferente de outros jogos do Switch, como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Super Mario Odyssey ou mesmo Xenoblade Chronicles 2, que possuem cenários e paisagens belíssimos, ricos em vida e detalhes, e que recompensam o jogador por explorar aquele mundo.

No mais o jogo tem os mesmos problemas de desde quando Pokemon fez a transição do 2d para o 3d, mapas minúsculos, com muito pouco a ser explorado pelo jogador, nenhuma sidequest, e uma quantidade rasa de conteúdo para além da história principal. Que por sua vez é igualmente rasa e com um desenvolvimento bastante fraco. Sword & Shield não convence como um AAA de console, a sensação que ele passa é a de ser um jogo pensado para o 3DS em uma televisão fullHD. O que não seria um problema se ele não fosse vendido como um jogo top de linha, se ele não tivesse preço cheio (e nem vale a pena mencionar o preço dele aqui no Brasil, que outro absurdo por si só).

Em outras palavras, Pokemon Sword & Shield não apresenta nada que justifique o corte da pokedex, dando a entender que as promessas da GameFreak foram, desde o começo, vazias.

O que não quer dizer que o jogo seja ruim. Ele ainda é um jogo da série principal de Pokemon e, como dizem por ai, “Pokemon é sempre bom, mas nunca ótimo” e para Sword & Shield essa máxima ainda permanece. Capturar, treinar e montar o seu time de pokemons continua sendo divertido. Muitos dos pokemons novos são tão legais e interessantes quanto os antigos, mas é claro, nem todos os novos designs são bons, mas isso é algo que pode ser dito para todas as gerações. Os fosseis, por exemplo, são baseados em uma ideia bem interessante, mas o resultado acabou não sendo dos melhores. E, ao mesmo tempo, as novidades introduzidas são bastante interessantes, em particular o modo como as Raids funcionam, e o novo sistema de TR (Technical Records), que funcionam de maneira similar às TM (Technical Machine), mas são consumidas quando utilizadas(ou seja, elas funcionam como as TM antes da 5ª geração), forçando o jogador a coletar mais delas, realizando Raids ou mesmo comprando-as nos múltiplos vendedores da Wild Area.

NTR e essas coisas que traumatizam tanta gente

Esse texto é um caso curioso, porque pra falar bem a verdade ele não foi muito popular com o meu público regular, digamos assim, inclusive ele até demorou um pouco para finalmente deslanchar, mas hoje em dia ele é, de longe, o meu texto mais mais views e leitura. Talvez as pessoas caiam nele procurando safadeza na internet, ou talvez porque a curiosidade em saber o que é NTR seja real. Mas de qualquer forma, é um texto do qual sinto orgulho, não só pelas visualizações, mas porque é um texto que mostra que o ser humano(eu) é capaz de aprender com os seus próprios erros (Para entender quais foram, leia o comentário do texto pós as menções honrosas).

Inicialmente escrevi esse texto como uma resposta para uma discussão iniciada por uma publicação de outro site (não lembro qual), que tentava definir de maneira arbitrária os diversos tipo/gêneros de NTR, isso sem fazer a distinção entre Netorare, Netori e Netorase, o que obviamente não me agradou muito.

Mas é claro, eu não escrevi e publiquei esse texto no Medium apenas para responder a discussão, se fosse apenas essa a minha intenção eu teria respondido diretamente nela, sem a necessidade de criar um link externo a ela. A verdade é que já fazia parte da minha vontade escrever sobre o tema (pois é, eu tenho vontade de escrever sobre muita coisa), então apenas aproveitei o momento.

E é claro, como é um tema recorrente eu certos textos meus aqui no Medium, há alguns detalhes que eu deixei de fora, como as variantes de comportamento da heroína (aquela(e) que traí o protagonista, não necessariamente uma mulher) perante ao NTR. Sendo elas, do tipo A (a heroína traí consensualmente do início ao fim), tipo B (inicia não sendo consensual, mas se torna até o fim da narrativa) e o tipo C (que não tem um pingo de consensualidade envolvida).

Não é difícil entender os motivos para essa parte ter ficado de fora do texto, o primeiro motivo é porque ela foge um pouco da minha área de atuação dentro do próprio texto, que naturalmente é a linguagem. Também porque essas definições normalmente são usadas dentro dos grupos específicos que consomem esse tipo de conteúdo, em particular lugares como o 4chan(o que por si só não anima muito), e sairia um pouco do foco do texto abortar essas especificações.

Menções honrosas

Antes de terminar esse texto com o meu último comentário, deixo aqui esse espaço para mencionar todos aqueles outros textos que, por um motivo ou por outro, não sinto plena vontade de comentar nesse texto. Seja por considerá-los incompletos em algum aspecto, achar que eu ainda tenha que pensar mais no assunto e nas minhas ideias para chegar numa conclusão mais firme, ou por eu não achar que eu tenha algo a comentar sobre ele. Mas que valem a pena serem citados para caso algum leitor tenha interesse neles.

São eles, o já mencionado Como o Hype dita nossos gostos, Darling in the Caça as Bruxas, Elementos Parodiais em Isekais e O que torna um anime romântico?

O último dessa lista, em particular, considero o melhor dessa, mas mesmo assim sinto que não respondi completamente minha pergunta inicial. Sempre que penso nos animes citados pelo texto, principalmente Wotaku Koi, percebo que há mais no romântico das narrativas romântica do que os pontos apontados pelo texto, como ações ou situações específicas. Mas é certamente algo que precisarei pensar mais sobre.

Texto sem título

E, para terminar, nada melhor do que falar daquele que verdadeiramente começou isso tudo; a morte do pobre Grape-kun. O que dizer sobre esse texto? Além da tristeza de perder a prova viva de que o amor pelas waifus é maior do que qualquer barreira, acho que posso dizer que tudo que tem um começo, não é mesmo?

Quer dizer, eu não acho que esse tenha sido um texto ruim, querendo ou não ele cumpri bem o seu propósito, minha ideia era de trazer para língua portuguesa a história desse simpático pinguim, principalmente a primeira parte dela, que não era tão conhecida pelo público brasileiro na época, e acho que nem mesmo agora ela é porque, bom, não é como se os meus textos tivessem o melhor alcance do mundo.

De qualquer forma, o meu maior problema com esse texto foi a forma como ele foi concebido. Não pela pressa de publicar o texto antes que outra pessoa tivesse a mesma ideia (até porque nem sei se, ou pelo menos não me lembro, outro canal contou a história completa dele em língua portuguesa), mas pelo fato d’eu ter escrito essa primeira parte da história do Grape-kun tendo o texto original em inglês aberto do meu lado, escrevendo enquanto lia e traduzia esse, enquanto adicionava uma ou outra informação para colocar mais conteúdo no meu texto. O que resultou, ao meu ver, em um texto mais travado do que ele deveria ser

O ideal teria sido ter primeiro extraído todas as informações do texto em que me baseei (como fiz mais tarde no texto sobre NTR), organizando a narrativa em tópico, para depois escrever o texto inteiramente com as minhas palavras. Ou seja, da forma como fiz na segunda metade do texto, que era a parte da história do Grape-kun com qual eu tinha mais familiaridade, afinal, acompanhei essa história passo a passo, a cada novo tweet, a cada nova notícia que saía sobre o bixinho. Shitposteando sobre ele (e Kemono Friends em geral) sempre que tinha tempo na internet a fora.

No mais não é um texto que eu me arrependa de qualquer maneira de ter escrito, ou que mereça um remake, como já disse tudo tem que ter um começo, e ainda que se inicie com certos tropeços (como não ter colocado um título) é menor do que ficar na inercia, sem sair do lugar.

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Marcelo Hagemann Dos Santos
Marcelo Hagemann Dos Santos

Written by Marcelo Hagemann Dos Santos

Rapaz de humor duvidoso que entrou essa de escrever sobre animes recentemente. Ex-aluno de filosofia e graduado em Letras, mas sempre estudando.

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