Qual é o problema da Uzaki-chan?

Marcelo Hagemann Dos Santos
14 min readSep 7, 2020

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Arte oficial de Uzaki-chan wa Asobitai!, Ilustração de Marina Maki.

Se você esteve no Twitter nos últimos dois meses, ou costuma assistir vídeos relacionados a animes no YouTube, é bem provável que você já sabia que no começo da temporada de Verão de 2020 (inverno para nós do hemisfério sul), e se duvidar um pouco antes de seu início, a personagem principal do anime Uzaki-chan wa Asobitai! se tornara alvo de diversas críticas, em sua grande maioria relacionadas a sua aparência e design.

Para contextualizar um pouco, Uzaki-chan wa Asobitai! é uma comédia romântica em que a protagonista, Hana Uzaki (uma jovem recém chegada na universidade), ao perceber que seu Senpai, Shinichi Sakurai (um rapaz um ano mais velho que Hana), não usufrui corretamente de sua vida universitária, desperdiçando os seus dias sozinhos sem ter nenhum amigo, decide fazer algo a respeito e mudar essa situação. Uzaki-chan passa a, então, infernizar a vida do Senpai, levando-o de um lado para o outro e o obrigando a passar um tempo com ela.

Apesar de já ter passado um bom tempo desde o início da polêmica, ainda cabe aqui nos perguntarmos, essa crítica faz algum sentido? E, o design da Hana Uzaki é realmente tão problemático assim?

Para respondermos essa questão, precisamos olhar individualmente para cada uma das críticas contra o design da Uzaki-chan e analisar até que ponto cada uma delas faz, ou não, sentido, para só então compreendermos a situação como um todo.

A primeira dessas críticas, e provavelmente a mais comum delas, está ligada a acusação de que a Uzaki-chan seria a representação de uma criança (sem especificação de faixa etária), devido as grandes proporções de seus olhos, e da sua boca, o rosto da Uzaki-chan seria o de uma criança. O que por consequência do seu corpo extremamente sexualizado a personagem estaria promovendo a sexualização infantil.

Aqui há duas coisas que não podem ser negadas. A primeira é que sim, a Uzaki-chan é uma personagem bastante sexualizada, o tamanho de seus seios não deixa negar. Além disso, a expressão “Sugoi Dekai” deixam bem claro que essa sexualização é proposital, uma vez que é a combinação de “sugoi” — que é uma expressão de espanto comum no japonês, normalmente utilizada para identificar quando algo incrível ou surpreendente aconteceu, geralmente em um tom positivo — e “dekai”, que significa “muito grande” ou “enorme”. Ou seja, “Sugoi Dekai” seria algo como “incrivelmente grande”, e nem precisa dizer ao quê essa expressão se refere.

Sugoi desu ne?

E a segunda é que, sim, o rosto da Uzaki-chan possui traços infantis. Mas apenas em certo grau. O que definitivamente não é o mesmo que dizer que a personagem representa uma criança, nem que pretende representar, ou que tem ela o rosto de uma criança colocado no corpo de um adulto. Já que o rosto da Uzaki-chan é condizente com o rosto de uma mulher jovem, ou de uma adolescente que atingiu plena maturidade (Hana inicia a trama com 19 anos de idade). Para afirmarmos o contrário teríamos que primeiro negar que o traço do design de Uzaki-chan wa Asobitai! é extremamente caricato, principal motivo para a proporção dos olhos e boca da Uzaki-chan, que são usados para enfatizar as expressões faciais dela, algo fundamental para o tipo de humor que a obra quer invocar, que está diretamente ligado ao estado de espírito da personagem, seja quando ela está tirando sarro da cara do senpai, quando está rindo exageradamente de algo, triste, ou qualquer outro tipo de reação exacerbada.

Além disso, o uso de traços mais infantis e caricatos para representar personagens nitidamente adultos não é novidade em qualquer lugar do mundo, e no Japão essa é uma prática comum.

Personagens como Yukari Takara (Mãe da Miyuki em Lucky Star), Kaoru Tsunashi (protagonista de Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken) e Quetzalcoatl (um dos dragões de Kobayashi-san Chi no Maid Dragon) são apenas alguns exemplos de personagens com designs que os torna fofos (aka Kawaii), mas sem deixarem de representar indivíduos adultos.

O segundo argumento utilizado para criticar o design da personagem é, bem verdade, tanto derivado do primeiro como embutido nele, e resume-se em proclamar que a Hana-chan não possui um corpo realista para uma mulher de sua idade, assumindo que o tamanho dos seios da Uzaki-chan é desproporcional para sua altura.

O maior problema desse argumento nem é o quão fácil é perceber que ele não se sustenta, mas sim a forma como ele é atacado por algumas das pessoas que defendem o design da Uzaki-chan, apontando que é natural ela não ter uma aparência realística pois… bom, ela é um personagem de anime.

E esse é um contra-argumento que pode até colar de vez em quando, afinal, é absolutamente normal termos elementos fantasiosos em obras de fantasia, e isso notoriamente inclui os personagens (e suas aparências) presentes nessas histórias. Mas nesse caso é um argumento que não cabe muito bem, pois, [1] ele não é sequer necessário (veremos em frente) e [2] Uzaki-chan wa Asobitai! não é exatamente uma história fantasiosa. Óbvio, certos absurdos e exageros estão presentes na obra, faz parte do humor dela, além de certas improbabilidades, mas ainda assim é uma história pautada em um certo grau proximidade com o mundo real, afinal, é uma comédia-romântica slice-of-life, ainda que os personagens sejam caricatos, eles assim são representações de seres humanos palpáveis.

E por isso que responder “É só um anime, quem liga?” é um argumento fraco, até mesmo infantil, porque, no final das contas, se relevarmos o traço estilizado do anime, o que nos sobra é uma universitária de baixa estatura, de cabelos curtos e seios grandes, o que não me parece, de forma alguma, uma descrição irrealista de um ser humano possível.

Bastou que esse argumento circulasse por alguns dias, talvez por apenas algumas horas, para aprecem, no próprio twitter, garotas se apresentando com discrições bem parecidas a essa, se comparando com o design da Uzaki-chan. E claro, não dá pra dizer que essas garotas não são realistas, pois literalmente são pessoas reais.

A primeira imagem foi postada por diziwiz no twitter, e nos explica que o design de Uzaki-chan está dentro dos padrões estabelecidos na arte japonesa. Já a segunda é de autoria de Yuna, também postada no twitter, onde se compara com a personagem.

Uma dessas pessoas é Kaho Shibuya, que trabalhou por cerca de 4 anos na industria pornográfica japonesa, posteriormente publicando um livro sobre essa experiência (até então sem tradução), e hoje em dia atua como Cosplayer (aparecendo em convenções de anime e mangá como convidada, e possui dois álbuns de fotos suas em diversas fantasias a venda) e locutora de rádio, além de ter sido escalada para dublar um anime ainda não anunciado, que infelizmente fora adiado por conta da Covid-19.

Kaho possui um corpo bem parecido com o da Uzaki-chan, tanto é que a personagem é um dos seus cosplays mais recentes, tento apenas um centímetro a mais de altura a mais que a personagem(Kaho Shibuya possui 1,51, enquanto Uzaki 1,50) e, apesar de ser relativamente mais velha que a Uzaki, tendo 29 anos, possui um rosto que é considerado por muitas pessoas como infantil, ou ao menos jovial. E recentemente defendeu o design da Uzaki-chan em uma entrevista para o site japonês Grape (em inglês no próprio site), onde afirmou que se sente pessoalmente ofendida quando chamam o seu biotipo de irrealista (por razões óbvias).

Foto da Kaho Shibuya como Uzaki-chan, publicada originalmente no twitter dela.

Por isso, não faz sentido criticar o design da Uzaki-chan dessa forma, não com esse argumento, não fazendo essas afirmações. E o mais correto seria dizer que o design da Hana-chan é, na melhor das hipóteses, incomum. O que, como crítica, não possui peso algum. Afinal de contas, o Sakurai é um jovem alto para os padrões japoneses (1,80, 8 centímetros a mais que a média nacional do Japão, mesma distância que Uzaki tem para média das mulheres; 1,58), o que pode ser considerado algo incomum. Mas essa não é uma afirmação possui substância nem relevância como crítica. Afinal, afirmar que um personagem de corpo incomum é algo negativo e passível de crítica é ser contra a diversividade, e uma arbitrariedade imensa, ditando quais tipos corporais podem ou não serem representados na mídia.

Isso chama atenção porque, não muito antes, por volta na metade do ano, outra personagem teve seu design atacado com base em argumentos bem parecidos. A personagem Abigail Anderson (Mais conhecida como Abby) do exclusivo do Playstation 4, console da Sony, The Last of Us Part II (Lançando em 19 de junho de 2020) foi acusada de ter um corpo irrealista para uma mulher, afirmado que o seu design era feio e seus músculos masculinos de mais para serem convincentes.

Apesar de não ter jogado no título, nem mesmo seu antecessor, é fácil perceber que a crítica é infundada. Não apenas porque mulheres musculosas existem, mas porque, levando em conta que o jogo é ambientado em um mundo pós-apocalíptico, em que o uso de força se faz necessário constantemente, a presença de personagens fortes fisicamente é condizente com a fantasia da obra, por isso é de se esperar encontrar personagens de ambos os sexos com essas características. Afirmar o contrário seria negar certas fantasias com base em sexo e gênero, o que não traz ganho a ninguém, pelo contrário.

Além disso, algumas pessoas argumentaram que, nesse cenário, seria irreal assumir que alguém conseguiria “ficar bombada” em um cenário de escassez de alimento, mas, ao mesmo tempo, esse não me parece ser um elemento trabalhado dentro do jogo e, olhando para os designs dos outros personagens, não me parece que há alguma forma de desnutrição entre eles. E assim como personagens masculinos bombados em uma obra como essa não levantaria tantas críticas, não há motivo para que o design de Abby seja atacado dessa forma porque, por mais de um modo geral homens tenham mais facilidade de desenvolver músculos do que as mulheres, nada impede que Abby seja uma caso de exceção dentro do gênero feminino e seja um indivíduo com propensão a desenvolver músculos. Seja por um desbalanceamento hormonal causado por stress ou genética, Abby é um caso incomum em uma situação incomum, e como dito antes, ter um personagem que saí de um padrão estatístico, biológico ou social, por si só, nunca deve ser visto como um aspecto negativo.

A ilustração de Veronica Mortensen resume muito bem o que penso sobre o assunto.

Ainda, mesmo que não tenha chamado atenção como Uzaki ou Abby, e não haver polêmica em cima dela, outra personagem de um anime dessa temporada possui características bem parecidas com o design de Abby. Falo de Ayame Hatonami, do anime mais trash dessa temporada, Gibiate (um anime que se passa em um mundo pós-apocalíptico em que pessoas infectadas por um vírus se transformam em monstros deformados, e uma das poucas esperanças da humanidade está na busca de uma cura contra a mutação.), uma ex-policial que se juntou a força com o único propósito de prender o próprio pai, um líder Yakuza, que, apesar de estar cercada por personagens de força absurda e muito além do bom senso vindos direto dos livros de história, é uma das poucas personagens do presente que consegue enfrentar os monstros da trama de igual para igual.

Na esquerda a personagem Abby postada por Frank Tzeng, e na direita Ayame de Gibiate, cria original de Yoshitaka Amano.

Mas então, por que o design da Uzaki-chan foi tão fortemente criticado no começo dessa temporada? E, bom, novamente, a resposta dessa questão não está atrelada a apenas um ponto, e é possível que haja muito mais nesse caso do que as hipóteses que levantarei daqui pra frente. De todo mundo, um dos principais fatores está intimamente ligado com o fato de que sim, animes e mangás, cultura otaku de um modo geral, possui a má fama de sexualizar, ou hipersexualizar, personagens infantis. E é claro que isso gera desaprovação dos mais variados cantos, inclusive de pessoas que estão inseridas dentro dessa cultura.

Por conta disso, cria-se uma espécie de preconceito a respeito dessa cultura, de forma que, ao se deparar com um personagem como a Uzaki-chan, que é extremamente caricata, possui proporções incomuns, e um design recheado com elementos anormais, as pessoas criam conclusões a respeito dessa personagem com base nesse preconceito, sem muito pensar ou refletir sobre o assunto.

O que é muito diferente de dizer que essa é uma discussão vazia ou infundada, até porque esse preconceito não existe por mero acaso, e discutir aquilo que serve de fonte desse preconceito é sim muito importante. Mas utilizar a Uzaki-chan como bode expiatório (acusando-a de promover a sexualização infantil, e dizer quem se sentir minimamente atraído pela personagem é sinal de pedofilia) é, além de acusações falsas, desviar o olhar do que é ou realmente um problema, ou reflexo de um problema presente em nossa sociedade, em nossa cultura, que há muito pouco promovia uma verdadeira barbárie, e show de falta de empatia, contra uma vítima real de abuso infantil (isso é, estupro).

Por consequência disso, usar a Uzaki-chan, e a polêmica em torno dela, como chamariz para levantar a discussão desses temas é louvável, e extremamente saudável, mas atacá-la exclusivamente é perda de tempo, e é inclusive dar vantagem argumentativa para os que negam existir um problema com a sexualização infantil em nossa cultura.

Mas é claro, esse preconceito em torno de animes e mangás por si só não são suficiente para levantar as críticas contra o design da personagem, e algo que contribuiu para que isso acontecesse foi o fato de que… bom, o design da Uzaki-chan foi feito para ser controverso, ambíguo, e criar um desconforto ou irritação contra a personagem. E quando as pessoas encontram algo que provoca desconforto, elas tendem a buscar a razão para esse desconforto. O que faz com que as acusações iniciais sejam levantadas.

A Uzaki-chan é uma amolgação de elementos e características que são contraditórias entre si, pensadas e usadas para levantar mixed feelings em quem acompanha a obra. Ao mesmo tempo em que Uzaki-chan é uma tomboy, tanto pelo cabelo curto, pelas roupas mais casuais e largadas, e principalmente pelo modo vulgar de falar, ela possui características que exageram a sua feminilidade, e estão associados com os padrões de beleza feminino, como a baixa estatura, o corpo fino e magro, ausente de músculos bem definidos, e obviamente os seios enormes.

A presença da Uzaki-chan representa uma quebra na rotina e no próprio estilo de vida do Senpai, que é alguém que gosta da calmaria, de passar o tempo “sem fazer nada”, cochilando, jogando vídeo-game, sozinho, no silêncio, sem ter muitas preocupações. Ela é irritante, manhosa, avoada, desastrada, constantemente critica o jeito de ser do Sakurai, e muitas vezes o ofende e o provoca, até que ele faça o que ela quer. Ao mesmo tempo, Uzaki-chan é alguém que traz vida para… para a vida do Senpai, que sabe ser carinhosa, que cuida dele quando ele fica doente, o fazendo companhia, e até mesmo jogando vídeo-game junto dele*. Ela é, por vezes, o melhor amigo de Sakurai, e por outras ambos agem como um casal de pombinhos apaixonados, cuja tensão sexual pode ser vista a olho nu, mas que são incapazes de perceberem os próprios sentimentos.

*algo que pode ser apreciado não apenas no anime, mas também no próprio canal de YouTube da KADOKAWA, produtora tanto do mangá como do anime, que recentemente publicou um vídeo da Uzaki-chan no maior estilo Vtuber jogando Mario Kart 8 com o senpai, não sendo essa a primeira vez, inclusive. Muito antes do anime ser anunciado, como forma de promoção ao mangá, senpai e Uzaki-chan jogaram Earth Defense Force 5 nesse mesmo canal. Além de, é claro, dos outros vídeos promocionais também presentes no canal.

Além do design da personagem refletir muito bem essa dualidade entre as características típicas masculinas e as tipicamente femininas da Uzaki-chan, ele também potencializa a smug face a partir das suas proporções faciais exageradas e de outro elemento contraditório: esse dentinho que parece fazer parte da pele dos seus lábios.

Smug face é essa expressão de alguém convencido, cheio de si, que joga na cara sua superioridade na outra pessoa.

A característica é normalmente utilizada no design de personagens, principalmente femininas, mais selvagens, que são mais agressivas, agitadas, extrovertidas, avoadas e tomboys de modo geral. E reflete uma característica real de mulheres japonesas de terem os caninos proeminentes, e é considerado no Japão como uma característica atraente, tanto que algumas mulheres fazem cirurgia para acentuar os caninos. No caso da Uzaki, a presença do elemento tanto reflete o seu lado tomboy, como incrementa seu smug face, tornando-o mais característico. Ainda, é um detalhe que divide opiniões, pois, ao mesmo tempo que essa fang é um atributo considerado fofo (moe), o fato dela parecer ser parte do lábio da personagem, como se fosse feito de pele, é algo que desperta um pouco de incômodo em algumas pessoas.

Enquanto as fang que parecem de fato um dente dentro da boca da personagem são mais comuns, e mais apreciadas, há outros personagens como Uzaki-chan.

Essa não é a primeira vez que Uzaki-chan está envolvida em alguma forma de polêmica por conta do seu design. A primeira vez, que sabemos, foi em meados de outubro de 2019, quando a Cruz Vermelha do Japão utilizou a personagem em um poster de promoção à doação de sangue. Na época a promoção foi criticada, pois o uso de uma personagem tão sexualizada em um campanha como essa seria inadequado.

O poster em si (primeira imagem) utiliza a mesma arte do terceiro volume do encadernado de Uzaki-chan wa Asobitai!

Na propaganda Uzaki-chan diz, em tradução livre, “Senpai! Você ainda não doou sangue? Por acaso… você tem medo de agulhas?”, numa clara provocação ao Sakurai, e uma fala condizente com a personalidade da própria Hana.

Não há para negar que a Uzaki-chan é uma personagem sexualizada, mas isso não implica que ela não possa ser utilizada para promover algo como a doação de sangue. Por mais que ela tenha seios grandes, em momento nenhum a personagem é posta em pose ou situação com insinuação sexual, nem mesmo suas roupas são apelativas nesse sentido. Por isso negar a participação da Uzaki nessa campanha, apenas com base no tamanho dos seus seios, é arbitrário.

A única crítica que tenho para esse poster é o fato dele não apresentar nenhum elemento visual que indique se tratar de uma campanha de doação de sangue. Por utilizar uma arte reciclada, Uzaki está vestindo o uniforme do café onde Sakurai trabalha (e posteriormente ela também), e em sua bandeja há apenas uma bebida, uma taça de sorvete e duas colheres, nada que seja relacionado com doação de sangue. Isso, para um poster, é pouco eficiente pois, a não ser a pessoa veja o logo da Cruz Vermelha, ou leia o que a Uzaki-chan está dizendo, essa pessoa não será afetada pela propaganda, não lembrará que doar sangue é algo importante, muito menos se sentirá compelido a fazê-lo.

Por outro lado, Uzaki-chan wa Asobitai! não é a primeira obra escalada pela Cruz Vermelha do Japão para protagonizar uma propaganda como essa. Na verdade, é algo que já acontece há um bom tempo, e a técnica (nascida em parceria com a Comiket) tem tido bastante sucesso pois, desde então, observou-se um aumento na doações de sangue desde seu início, até onde sei, em 2015. E como, apesar da polêmica, Uzaki-chan é uma personagem popular dentro do nicho, se ela pode incentivar seus fãs a doarem sangue, possivelmente salvando vidas, por que não a incluir?

Dentre as séries unitizadas nesse tipo de campanha temos, Cells at Work, Girls und Panzer, e a mais recente, as garotas de Love Live Sunshine.

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Marcelo Hagemann Dos Santos
Marcelo Hagemann Dos Santos

Written by Marcelo Hagemann Dos Santos

Rapaz de humor duvidoso que entrou essa de escrever sobre animes recentemente. Ex-aluno de filosofia e graduado em Letras, mas sempre estudando.

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