Porque amamos a Chika.

Marcelo Hagemann Dos Santos
4 min readMar 15, 2019

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I see you are a man of culture as well.

Com a chegada de 2019 fomos agraciados com uma das temporadas de inverno mais interessantes dos últimos anos em termos de anime. Não apenas recebemos alguns títulos merecedores do mais refinado Hype que a comunidade weeb pode oferecer, como o remake em comemoração dos 50 anos de Dororo e a segunda temporada do já amado Mob Psycho 100, como até títulos que a princípio não chamaram tanta atenção e não pareciam ter muito potencial, mas que acabaram se tornaram boas escolhas para quem decidiu acompanhá-los até o momento, como a guerra humanizada de Egao no Daika (aka The Price of Smiles) e o fofo e aconchegante Doukyonin wa Hiza, Tokidoki, Atama no Ue (aka My Roommate is a Cat).

Contudo, houve um acontecimento que não passou despercebido pela comunidade nessa temporada. Sendo um dos títulos mais aguardados desse ano, nada mais natural que Kaguya-sama: Love is War fosse um dos animes mais comentados nesse começo do ano, porém, o que não esperávamos é que uma das personagens segundarias da série ganhasse um encerramento só dela e que decolasse em popularidade ocupando constantemente memes, secções de fanart, cosplay, ranks de popularidade e, obviamente, nossos corações.

Mas, por mais que o encerramento em si tenha sido um pedaço belíssimo de animação, uma dança muito bem coreografada e repleta de pequenas referências à própria série, seria preguiçoso da minha parte assumir que a personagem em questão, Chika Fujiwara, tenha se tornado tão popular exclusivamente por esse encerramento, afinal, se fosse esse o caso ela não continuaria entre as personagens mais amadas agora que a temporada já está acabando.

Por outro lado, não podemos negar que esse encerramento, a Chikatto Chika Chika, teve sim uma baita influência positiva na popularidade da nossa garota. Afinal, com essa abertura espalhando-se pela internet como fogo, foi apenas natural que pessoas que a princípio não se interessaram pelo título fossem atrás do mesmo movidos pela curiosidade e interesse recém adquirido por aquela personagem. Essas pessoas, por sua vez, já possuíam uma pré-disposição a gostar da Chika, dada a primeira impressão positiva da personagem por esses novos telespectadores, e pelo fato da própria abertura conseguir captar bem o espírito da personagem e não provocar nenhuma impressão errada em quem mais tarde resolveu assistir o anime.

Ao mesmo tempo, o encerramento não teve impacto positivo apenas em quem não estava acompanhando da série. Afetando também quem já estava acompanhando o anime desde o primeiro episódio. Esses, muito provavelmente, passaram a olhar para a Chika com mais carinho, e prestar mais atenção nela, de modo que mais pessoas se tornaram propensas a gostar da Fujiwara-san.

Além disso, o próprio fato da Fujiwara ser dublada por Konomi Kohara, uma dubladora relativamente nova para o público geral, pode ter influenciado de maneira positiva para sua popularidade. Afinal, o fato da voz de Konomi não ser muito conhecida faz com que a Chika soe com mais frescor do que a maioria das outras protagonistas feministas que já foram, ou ainda são, bastante populares entre a comunidade.

Fora Chika, eu destacaria outros três trabalhos da Konomi que a fizeram ser uma das minhas dubladoras menos conhecidas favoritas nesses últimos anos; Sua atuação como Akane Mizuno, protagonista de Tsuki ga Kirei, como Kukuri, protagonista de Mahoujin Guruguru (2017), e como Kasumi Nomura em Asobi Asobase.

E é claro, não tenho dúvidas de que Konomi tenha feito um bom trabalho para tornar Chika essa personagem tão carismática. Afinal, como é possível reparar também em outros de seus trabalhos, Konomi possui uma voz adorável, e é capaz de exprimir uma boa variedade e às vezes complexidade de emoções com sua voz.

Obviamente, não podemos de deixar de falar da própria Chika, que, apesar d’eu tê-la chamado de personagem segundaria há alguns parágrafos, seria injusto tratá-la dessa maneira, afinal, Chika não apenas é uma personagem que aparece frequentemente, como ela é bastante importante para desenrolar, e ‘reenrolar’ da trama, de modo que ela é tão importante para a série quanto os próprios protagonistas.

Chika age como um verdadeiro agente do caos (palavras da própria série), com ações imprevisíveis que tiram o casal de protagonistas de sua zona de conforto, frustram seus planos, propõem jogos, cria novos cenários e por muitas vezes impõem obstáculos para o casal de protagonistas. Ao mesmo tempo uma ou outra de suas ações, a princípio aleatórias, ajudam o casal a vencer a barreira de seu orgulho e timidez e se aproximarem um do outro, o que por vezes é até mesmo difícil de dizer que não é proposital.

A própria personalidade da Chika ajuda ela a conseguir bons pontos de carisma. Afinal, ela é um doce de pessoa. Sempre otimista, de bom humor, disposta a ajudar todos aqueles que são importantes para ela, em particular o presidente (o que nem sempre acaba bem), e é sua típica colega de infância que quer ser amiga de todo mundo.

Ao mesmo tempo, os seus supostos defeitos também a tornam um personagem mais gostável. Por vezes mimada, preguiçosa, bastante simplória e sem nenhum grande objetivo na vida, a natureza pacata de sua personalidade, e até mesmo o fato de ser um pouco burra, são características que acabam aflorando um sentimento de ‘moe’ dentro de nós.

Por fim, um dos motivos dela ser tão amável é porque ela complementa muito bem o casal de protagonistas da série. Não apenas por não ser tão inteligente como ambos, de não planejar as suas ações cuidadosamente como eles, de agir de acordo com o que der na telha e perseguir aquilo que acha engraçado e divertido, mas porque ela tem algo que os dois não tem: senso comum e da mais honesta sinceridade.

Seja como for, o fato é que estamos aqui. Ouvindo o seu encerramento em loop, decorando sua coreografia, rindo de suas falhas, apreciando cada uma das suas reações e usando suas caretas como nossos avatares e emojis em chats e redes sociais, por um só motivo…

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Marcelo Hagemann Dos Santos
Marcelo Hagemann Dos Santos

Written by Marcelo Hagemann Dos Santos

Rapaz de humor duvidoso que entrou essa de escrever sobre animes recentemente. Ex-aluno de filosofia e graduado em Letras, mas sempre estudando.

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