O Passado, o Presente e o Futuro de Splatoon
Sendo uma das boas coisas que nasceram na era do Wii U, a série Splatoon tem sido uma das principais franquias da Nintendo desde então. Com um personagem jogável em Smash Bros, dois jogos no Switch e sendo uma das poucas franquias que ainda recebe novos amiibos com regularidade, fica difícil de imaginar a série perdendo espaço em um futuro próximo ou que ela não ocupe um espaço de destaque quando o sucessor do Switch finalmente deixar de ser mera pauta de “rumores” (amém).
Dado isso, quando os desenvolvedores anunciaram a Splatfest final de Splatoon 3 (Passado, Presente e Futuro) para o mês de Setembro (do 13 até 16), fãs, analistas e jornalistas da Nintendo rapidamente interpretaram o anuncio como um sinal de que o próximo jogo da série, um Splatoon 4, estará pronto para ser lançado mais ou menos junto com o sucessor do Switch, que deve sair até o começo de 2025, assim como foi aconteceu com o Splatoon 2.
Esse entendimento não é por acaso. Dentro do universo de Splatoon o tema da Splatfest final sempre foi muito importante para a transição de um jogo para o outro. O resultado da Splatfest final do 1 impactou na campanha do 2 e o mesmo ocorreu do 2 para o 3, com caos sendo um dos temas por trás da ambientação do jogo mais recente da série. Logo, acaba sendo uma conclusão fácil a de que estamos chegando nesse período de transição.
Acontece que eu não acredito que seja uma boa ideia que um novo jogo da série seja lançando tão no começo da vida do Nintendo Switch 2, ou qualquer que seja o nome do sucessor do atual console da Nintendo.
Para entendermos porquê d’eu pensar assim, é necessário fazer uma breve timeline da série Splatoon, desde o começo até o presente momento:
- Splatoon foi lançado em maio de 2015, já no quarto ano de vida do Wii U, que nem preciso dizer que não foi o maior sucesso da Nintendo, pelo contrário, o console não andava bem das pernas e isso não era segredo de ninguém.
- Antes do lançamento oficial do jogo, Splatoon recebeu um breve período de testes em que todo mundo que tinha um Wii U podia testar o jogo sem pagar nada.
- Gameplay bastante simples, poucas variedade de armas, de mapas e até mesmo de modos, mas isso não impediu que o jogo fosse muito divertido e viciante, o que foi o suficiente para que muitas pessoas, incluindo eu, comprassem o jogo quanto ele foi lançado oficialmente.
- O jogo lançou com, relativamente falando, pouco conteúdo. Tinha poucas opções no multiplayer, e a campanha singleplay não fazia mais do que ensinar o básico ao jogador e introduzir toda a lore maluca que a série tem. A campanha seria pouco memorável se não fosse pela fase final dela, a batalha contra o DJ Octávio que até hoje é um dos pontos altos da série, e o único motivo d’eu ter demorado mais de um dia para fechar a campanha.
- Pós lançamento, o jogo recebeu diversas atualizações que aos poucos acrescentaram boa parte do conteúdo presente no multiplayer. Em um ano, praticamente todo o mês havia algo de novo no jogo, por vezes uma arma novo, um novo mapa, ou um modo de jogo inteiramente novo. Apenas para ter uma noção do quanto do conteúdo do jogo foi adicionado ao longo de um ano, o Splatoon 1 foi lançado com apenas 5 mapas diferentes no multiplayer e terminou com 16, tinha apenas dois modos (Turf War e Splat Zones) e recebeu outros dois (Tower Control e Rainmaker), começou com 32 kits de armas e terminou com 91.
- Ao fim desse ciclo de atualizações, aconteceu a Splatfest final, Callie vs Marie, em 22 de julho 2016, e dela Marie, a minha escolha, sem muita surpresa, saiu vencedora.
- Em 20 outubro do mesmo ano, o Switch foi anunciado e lançado em 3 de março do ano seguinte, com Splatoon 2 saindo logo depois, em 21 de julho.
- No período entre a final fest e o lançamento da sequência os produtores fizeram postagens nas redes socais do jogo contando o que acontecera com Callie e Marie após o resultado da Splatfest, com ambas criando uma distância entre si e seguindo carreiras solo, o que culmina no desaparecimento de Callie e em Marie procurando alguém para ajudá-la a encontrá-la, o que corresponde ao início da campanha do segundo jogo.
- Em muitos aspectos, o modo campanha de Splatoon 2 era muito parecido com o de Splatoon 1, com a grande diferença que, no segundo jogo, havia a possibilidade de usar uma variedade muito maior de armas nos diferentes estágios do jogo. Apesar de ser um claro avanço em comparação com a campanha do primeiro jogo, a batalha final acabou sendo inferior a do primeiro jogo (E digo da batalha em si, porque terminar a campanha salvando a Marie foi um ótimo desfecho para a narrativa que se iniciou com a Splatfest entre as duas idols.)
- Em termos de suporte pós lançamento, Splatoon 2 teve um ciclo de atualizações bem parecido com o do primeiro jogo. Além disso, as disputas no multiplayer eram muito mais intensas do que o primeiro jogo devido a adição das dualies e da quantidade de especiais globais, que tornavam as batalhas ainda mais caóticas.
- Splatoon 2 ainda introduziu à franquia o seu primeiro modo inteiramente cooperativo, Salmon Run, que foi um diferencial imenso em comparação com o primeiro jogo. A principal crítica quanto a esse modo era a sua (in)disponibilidade, pois nem sempre o modo era acessível e dependia da rotação dos modos e dos mapas. Problema que foi resolvido, ou ao menos atenuado, no jogo seguinte.
- Splatoon 2 também foi o primeiro jogo da série a receber um DLC em 13 de julho de 2018. A Octo Expasion contou com uma campanha nova, protagonizando um personagem octoling (ao invés de um inkling), as duas idols do jogo base, Pearl e Marina, e um sistema de progressão não linear baseado em desafios variados. Além de ser uma ótima campanha e permitir que os jogadores jogassem partidas multiplayers na pele dos octolings, a DLC aprofundou ainda mais a lore do jogo, levando mais a fundo o tema da extinção da raça humana e introduzindo mais um pedaço nessa estranha narrativa: a Sanitização, uma espécie de lavagem cerebral que retira da vítima toda a sua vontade própria e livre arbítrio. Processo pelo qual a DJ ficcional e responsável (dentro do universo do jogo, obviamente) pela excelente trilha sonora da expansão, Dedf1sh, passou em nome da música. Como se não bastante, a DLC ainda conta com duas batalhas épicas, um contra o primeiro protagonista do jogo, e a outra a maior turf war que alguém pode participar.
- No ano seguinte, foi a vez de Splatoon 2 receber sua Splatfest final, que ocorreu no dia 18 de julho de 2019 e teve como tema Chaos vs Order. Lembro bem dessa Splatfest pois ela aconteceu justamente quando houve o atentado incendiário contra o estúdio KyoAni, e porque foi durante uma partida e outra que eu fui escrevendo a minha relação com cada um dos animes do estúdio e como eles foram importantes para que eu me tornasse esse otaku fedido que sou hoje. Escrita essa que resultou em um dos mais singelos textos da RotaWeeb: Um breve tour pela KyoAni.
- Algo importante de se ressaltar a respeito das Splatfests em Splatoon 2 é que, diferente dos jogos anteriores, cada uma delas apresenta um mapa único (Shifty Stations), bem mais experimental que os mapas tradicionais, de forma que cada Splatfest era singular, extremamente divertida e ainda mais caótica, pois os jogadores iam aprendendo a utilizar as particularidades dos mapas aos poucos, o que tornava as partidas do começo de cada Splatfest bem diferente das partidas do final do evento.
- Por fim, Chaos, novamente minha escolha, venceu aquela Splatfest, o que impactou diretamente na ambientação do terceiro jogo* — que se passa em Splatsville, conhecida por ser “a cidade do caos”, em vez de Inkopolis como nos dois jogos anteriores — e que fora lançado apenas em 9 de setembro de 2022, quase três anos depois da Splatfest Chaos vs Order.
*Essa influência se deu principalmente na escolha do grupo Deep Cut e das referências por trás dele, algo que já destrinchei em texto publicado antes mesmo do lançamento de Splatoon 3: A Genialidade pro trás de Deep Cut. (por isso há alguns detalhes que não são 100% acurados)
- Apesar da grande distância dentre o fim (oficial) do suporte do segundo jogo e de seu ciclo de atualizações, o anuncio do terceiro jogo foi fortemente criticado na época por, supostamente, não fazer muito sentido haver um segundo Splatoon em um mesmo console. Os críticos diziam que a) Splatoon 3 era muito parecido com Splatoon 2 e b) que a Nintendo, em vez de lançar um novo jogo, deveria apenas atualizar o que já estava presente na plataforma com todas as adições feitas no novo jogo.
- As críticas vinham de um grupo bem específico de pessoas: aquelas que não jogavam Splatoon com regularidade, mas que tinham algum grau de envolvimento com os jogos da Nintendo. O que criava um viés que não permitia essas pessoas enxergarem como Splatoon poderia evoluir de forma significativa o suficiente para justificar um novo jogo da série, sem a existência de, pro exemplo, um novo console. (o que em parte pode ter origem no quão substancial foi o suporte pós lançamento dos jogos da série, principalmente do primeiro jogo) — e, ironicamente, essas pessoas não parecem estar incomodadas com o fato de Super Mario Party Jamboree ser o terceiro Mario Party lançado no Nintendo Switch.
- Em Splatoon 3 o ciclo de atualizações passou a ser diferente de como era no começo da série. Em vez de recebermos atualizações pequenas e soltas, mas constantes, o terceiro jogo recebeu um sistema de temporadas, em que cada temporada (cada 3 meses) o jogo recebia uma grande atualização de conteúdo, com novos mapas e kits sendo adicionados simultaneamente todos de uma só vez, e apenas no meio da temporada o jogo recebia um patch de balanceamento.
- A campanha bebia dos elementos explorados na Octo Expasion, com fases nos moldes do que vimos na DLC, além de fechar a trilogia com uma batalha digna dos animes da Trigger (se você entendeu, entendeu), que consegue, inclusive, emaranhar o Salmon Run ao restante do lore do jogo.
- Falando nele, Salmon Run foi muito bem tratado em Splatoon 3, além de agora estar disponível 24 horas todos os dias (com os mapas e armas do modo mudando a cada dois dias), jogadores agora podem arremessar os ovos dourados até a cesta em vez de ter que nadar até ela, o que incentiva o trabalho de equipe e torna o jogo mais dinâmico, e uma onda extra foi adicionada, em que os jogadores, em vez de coletar ovos dourados, enfrentam um super boss. Salmon Run ainda recebeu dois novos modos, o Eggstra Work, que coloca os jogadores em cenários pré-definidos, e a Big Run, em que jogadores são levados para um dos mapas do multiplayer. Ainda, durante as temporadas, Salmon Run ainda recebeu novas armas exclusivas e dois super bosses para a onda extra que, além de tudo, podem ser enfrentados simultaneamente a depender da rotação.
- As Splatfest em Splatoon 3 são um ponto controverso. Até então toda a Splatfest oferecia duas opções ao jogador, mas em Splatoon 3 passaram a ser três opções, o que por si só não afetou muito a dinâmica das partidas comuns durante o evento. Entretanto, Splatoon 3 também introduziu as Tricolor Turf Wars, que aparecem na segunda metade de cada Splatfest, que coloca os jogadores dos três times em uma só partida assimétrica de 4x2x2, no qual os jogadores do time com mais membros deve defender o sinal no meio mapa dos outros dois times que buscam coletá-lo para chamar máquinas que espalham tinta em regiões específicas.
- O problema desse modo é o quão difícil é balancear os mapas para funcionarem tanto para o time que está na defesa do sinal como os que estão na ofensiva. Como os que estão na ofensiva se beneficiam da vitória do outro time, na prática o time que está na defesa é constantemente flanqueado pelos outros dois times, significando que a vitória do time de defesa depende do quão fácil é defender o meio do mapa, ou de avançar nas bases dos times que estão atacando, ou se ambos os times de ataque estão sabotando um ao outro em vez de trabalharem juntos contra o time de defesa. O que torna boa parte das partidas frustrantes para um dos lados.
- Splatoon 3 recebeu sua campanha em DLC no começo desse ano, 22 de fevereiro, mais tarde do que o esperado. A Side Order é protagonizada pelos mesmos personagens da Octo Expansion, com o jogador assumindo o controle do Agente 8 (Mesmo Octoling da DLC anterior). Tematizada a partir do lado perdedor de Chaos vs Order, somos levados a um mundo virtual criado por Marina, com o objetivo de ajudar os octolings afetados pela Sanitização, e nele escalamos a Spire of Order, andar por andar, com ajuda de Pearl em formato de drone e Acht (Dedf1sh) que nos ajuda a coletar palhetas de cor que incrementa nossas habilidades.
- Apesar de toda a criatividade envolvida, e de explorar bem o conceito de Rougelike, Side Order acaba decepcionando um pouco pela falta de variedade nos desafios e nos inimigos enfrentados. De forma que a quantidade de conteúdo oferecido não justifica o preço da DLC, principalmente tendo a Octo Expansion como comparação.
Enfim, chegamos aos dias de hoje e novamente estamos a beira de uma Splatfest final (mês que vem no momento em que escrevo essas exatas letras) e é preciso deixar algumas coisas bem estabelecidas, até pra não deixar dúvidas a respeito de qual é o meu viés:
Primeiro: Sou jogador de Splatoon desde o começo da série. Joguei o período de testes e comprei o jogo logo quando ele saiu. Desde então ele foi o meu principal jogo e o que me faz não me arrepender de ter comprado um Wii U (Que inclusive só comprei porque tive a oportunidade de comprar ele bem barato) e não seria brincadeira dizer que jogava Splatoon diariamente até o Switch ser lançado, ainda que não fosse inteiramente verdade.
Segundo: Eu joguei Splatoon 2 tanto quanto Splatoon 1 apenas em dois momentos; 1) no primeiro ano de vida do console, ou seja, quando o online era de graça. Depois que a Nintendo passou a cobrar para utilizar o online eu basicamente parei de jogar porque não quis pagar pelo serviço por conta de só um jogo, e diferente do Wii U eu sempre tive outras opções do quê jogar além de Splatoon no Switch, tudo ou praticamente tudo é jogo singleplayer. 2) passei a assinar o Nintendo Online, ironicamente, só depois de quando anunciaram a Splatfest final de Splatoon 2, dali em diante eu voltei a jogar Splatoon 2 quase que diariamente como antes, mas fui parando aos pouco porque o Switch não tem exatamente a melhor recepção de Wi-Fi do mundo, pelo menos o meu aparelho sempre teve dificuldade em se conectar à rede de casa quando estava no meu quarto.
Inclusive, por um bom tempo depois que Splatoon 3 foi lançado, eu passei a levar o Switch para sala só pra poder me conectar, o que aumentou bastante o meu uso do Switch como portátil. Só resolvi essa questão no ano passado, quando resolvi trazer o roteador pro meu quarto e conectar o Switch à internet via cabo, o que recomendo 100% a todos os donos de Switch. (Na época do Splatoon 2 eu cheguei a usar um repetidor para contornar o problema, mas nunca foi exatamente a solução mais confiável)
Terceiro: Só para caso isso não tenha ficado claro, eu não sou contra a produção de uma sequência de Splatoon 3. Quando o terceiro jogo saiu eu definitivamente não estava do lado daqueles que criticaram o anúncio, muito pelo contrário, e quanto anunciarem o próximo 4 também serei um dos primeiros a entrar no hype train. Só não acho que seja saudável essa mentalidade de querer sempre a próxima coisa, estar empolgado com o próximo anúncio e ficar pensando só no que vem ai™ e deixar aproveitar o que já está ai. Splatoon 3 é um ótimo jogo, Salmon Run nunca esteve tão divertido, o meta do multiplayer é relativamente bem saudável e balanceado, há como enfrentar cada um dos especiais do jogo (ok, não todos… Tenta Missiles ainda estão no jogo), mas eles ainda não deixam de ser armas poderosas na hora certa e nas mãos de um jogador competente. Há espaço para melhoras? Sim, mas não acho que lançar um outro jogo o mais rápido possível seja a melhor fora de alcançar essa melhora.
Quarto: Pode não parecer, mas eu sempre fui jogador de PC. Até os meus 18 anos nunca tive nada que não fosse um desktop. O Switch só virou a minha plataforma principal pois posterguei dar um upgrade no meu computador por anos e anos, e porque passei a pandemia provocada pela COVID na casa dos meus pais, ficando apenas com o Switch e o notebook que uso para trabalhar. Então estou longe de ser um exemplo de nintendista, e não tenho nostalgia alguma pelas séries mais clássicas da Nintendo, e, como a portabilidade hoje faz menos sentido pra mim do que fazia quando o Switch foi lançado, a compra do sucessor, pra mim, será muito mais por quais jogos estarão disponíveis na plataforma do que o quê a plataforma em si pode oferecer.
Isso faz com que seja importante questionarmos qual vai ser a estratégia da Nintendo em relação ao seu novo console. Porque, se a estratégia for a de “o próximo console é uma versão nova do Switch, não só capaz de rodar jogos mais pesados mas também de rodar melhor os jogos atuais do console, com menores tempos de loadings, numa maior resolução , com melhor desempenho gráfico e duração de bateria”, ou seja, como um upgrade do que já temos no mercado, mirando na retro compatibilidade, o que não me parece fazer muito sentido que Splatoon receba um jogo novo só porque a Nintendo está lançando um console novo.
Veja, quando Splatoon 2 saiu, o lançamento de um novo jogo se justificava por si só apenas pelas diferenças entre as plataformas. Splatoon 1 foi feito para ser jogado no Wii U, com o uso de duas telas — a televisão e o gamepad — enquanto o uso do Switch prevê apenas uma tela. Ainda que essa seja uma questão que exija apenas uma pequena adaptação, se o sucessor do Switch mantiver a mesma proposta, ela nem sequer existe.
E não estou dizendo que os desenvolvedores não devam, eventualmente, lançar uma sequência para Splatoon 3, um Splatoon 4 que seja, mas que, se o fizerem, não vejo necessidade desse próximo jogo ser lançado junto com o próximo console, nem mesmo em seu primeiro ano de mercado, talvez lá pelo terceiro ano de vida do console.
Em vez disso, vejo duas opções melhores para a franquia. A primeira é a de mudar o modo como o jogo é vendido e, sim, virar um jogo free-to-play… naquelas. Porque a Nintendo requer uma assinatura para que o jogador possa jogar vários de seus jogos online (jogx3), ou seja, nada é realmente de graça aqui… E, em conjunto com os modos multiplayers serem vendidos como parte da sua assinatura online, em vez de haver microtransações no jogo, ela também deveria oferecer campanhas singleplayer pagas (que não requerem uma assinatura do online para serem jogadas) e que dão acesso a itens cosméticos para serem usados durante as partidas online (ou seja, nem tão diferente do que já acontece com as DLCs).
Eu não sei o quão realista é essa opção, porque a Nintendo nunca se aventurou em jogos free-to-play fora de jogos para dispositivos smart, mas há primeira vez para tudo.
A outra opção seria de prolongar o suporte de Splatoon 3, sinalizando aos jogadores atuais e futuros donos do Switch 2 que “o Splatoon da vez é o Três”, da seguinte forma: Após a Splatfest Final, é anunciado que Splatoon 3 receberá novas temporadas de atualizações, que seriam mais modestas que as anteriores, mas adicionariam novos kits de armas às armas já existentes, um ou outro mapa novo — talvez portados dos jogos anteriores — e no máximo mais um novo modo de jogo. Ou seja, apenas o suficiente para manter o jogo fresco por mais tempo, nada muito substancial, mas o suficiente para dar a oportunidade dos desenvolvedores de criarem uma sequência que verdadeiramente leve a franquia a um passo além, sem se calcar em apenas uma melhora gráfica, como foi a transição do segundo ao terceiro jogo.
Se Splatoon seguir por esse caminho, seria uma boa opção a de que o jogo continue recebendo novas Splatfests, que, inclusive, poderiam serem repetecos das que tivemos nesses últimos anos, mas não há muito motivo para não incluir temas novos. Além disso, Splatoon 3 poderia receber novas Big Runs em mapas do multiplayer que ainda não protagonizaram uma, mas, dessa vez, sem adicionar novas armas exclusivas ao modo ou novos super bosses, apenas reutilizando o que já se tem. Inclusive, as novas Big Runs poderiam acontecer em mais de um mapa por vez, de modo que os jogadores tenham uma maior variedade durante o evento. De qualquer forma, se for para continuar com as Splatfests, elas teriam que serem repensadas porque o modo da tricolor battle deixa a desejar. Talvez pudéssemos trazer de volta as Shifty Stations, mas isso é algo que pode ser feito só mais pra frente, em um novo jogo ou se Splatoon virar mesmo free-to-plau.
O quão realista é essa segunda sugestão? Bom, há apenas uma mentira (deliberada) no texto até aqui, a afirmação de que Chaos vs Order foi a Splatfest Final de Splatoon 2. Quer dizer, oficialmente é ela que termina o ciclo de updates do jogo e a que pauta elementos do jogo seguinte, isso é verdade, mas depois dela o jogo ainda recebeu quatro outras Splatfest, três revanches de Splatfests passadas e uma comemorativa ao aniversário de 35 anos da série Super Mario bros. E ainda que a culpa tenha sido da pandemia que acabou atrasando o lançamento de certos jogos, não dá para dizer que não há precedente de algo parecido.
Agora se a proposta do sucessor do Switch for algo diferente dos modelos atuais, o que eu não acho que seja o caso, ai a coisa muda de figura. Porque, sendo assim, há mais espaço para que o jogo explore as capacidades únicas do console, incorporando elementos do hardware diretamente no gameplay. E, ainda assim, essa mudança no hardware teria que ser acompanhada com um menor foco na retro compatibilidade com os jogos de Switch para justificar uma pressa em lançar um jogo novo logo nos primeiros meses do próximo console.
De qualquer forma, o que acontece daqui pra frente é conhecimento que teremos em breve.